Um quesito que toda pessoa que usa bancos digitais ou instituições de pagamento precisa entender é como funcionam os seguros de conta digital. Afinal, esses instrumentos protegem o dinheiro na conta corrente e os investimentos contra falência, golpes virtuais, roubo de celular e até transações indevidas ou realizadas sob coação.
Mas é necessário mesmo se preocupar com cobertura de fraude em transações eletrônicas? As estatísticas reforçam que sim.
Segundo a pesquisa Radar Febraban, o volume de tentativas de golpes e de fraudes concretizadas no país subiu de 33% para 38% entre março de 2024 e março de 2025. Os alvos mais vulneráveis são os homens (44%), as pessoas acima dos 60 anos (42%) e os indivíduos com ensino superior (41%).
Esses dados mostram o quanto é imprescindível conhecer os riscos do ambiente virtual e, principalmente, saber como evitá-los, para não comprometer a segurança do patrimônio financeiro.
Neste artigo, você conhecerá os tipos de proteção e entenderá como funcionam os seguros de conta digital. Também saberá qual é o limite de proteção do FGC por banco e se o dinheiro em conta digital é protegido pelo FGC. Além disso, entenderá como funciona o seguro contra fraude em banco digital e conhecerá dicas para proteger sua conta.
Boa leitura!
Quais são os tipos de proteção e como funcionam os seguros de conta digital?
As principais proteções incluem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), a regulamentação do Banco Central e os seguros antifraude oferecidos pelas instituições financeiras. Juntas, essas medidas protegem contas e investimentos, reduzindo riscos de perdas financeiras e fortalecendo a segurança dos usuários.
Na tabela a seguir, veja quais situações cada instrumento de proteção cobre e quais não são contempladas por essas soluções.
| Situação | FGC | FGCoop | Seguro antifraude | Banco Central |
| Falência da instituição financeira | Sim | Não | Não | Não |
| Falência de cooperativa de crédito | Não | Sim | Não | Não |
| Golpe via Pix | Não | Não | Sim* | Não |
| Roubo de celular com movimentação da conta | Não | Não | Sim* | Não |
| Transferência realizada sob coação | Não | Não | Sim* | Não |
| Exigência de mecanismos de segurança e proteção de dados; e regras de responsabilidade das instituições financeiras. | Não | Não | Não | Sim |
| *A extensão da cobertura depende das condições e limites previstos na apólice contratada pela instituição financeira ou pelo cliente. | ||||
A proteção de contas e investimentos pelo FGC e pelo FGCoop é automática e garantida pelo sistema financeiro. Já os seguros são produtos contratados à parte, oferecidos pela maioria dos bancos digitais.
O Banco Central funciona como um guarda-chuva regulatório, responsável por fortalecer a segurança do sistema por meio da exigência de controles e medidas que reduzem os riscos para os usuários.
Agora que você sabe como funcionam os seguros de conta digital, conheça em detalhes cada solução nos próximos tópicos.
Qual é o limite de proteção do FGC por banco?
O Fundo Garantidor de Créditos assegura um limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira participante, considerando depósitos e investimentos elegíveis. Além disso, existe um teto global de R$ 1 milhão para ressarcimentos, renovado a cada período de quatro anos.
Dessa forma, o fundo cobre depósitos em conta corrente, conta poupança e investimentos elegíveis, como CDB, LCI e LCA. Por outro lado, não oferece cobertura para golpes, fraudes, roubo de celular, invasão de conta, perdas com investimentos não cobertos pelo programa e transações realizadas pelo próprio cliente.
Por exemplo, uma pessoa que tem R$ 180 mil em um CDB e R$ 50 mil na conta poupança do Banco X, totalizando R$ 230 mil aplicados na instituição, poderá receber o ressarcimento integral do valor coberto pelo FGC caso a instituição entre em liquidação.
Em outro cenário, se o total mantido no banco for de R$ 320 mil, o fundo indenizará até R$ 250 mil. O recebimento dos R$ 70 mil restantes dependerá do processo de liquidação da instituição para uma eventual recuperação dos recursos.
O dinheiro em conta digital é protegido pelo FGC?
Sim. O saldo mantido em conta corrente está protegido pelo FGC, observado o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira participante. Embora a cobertura exista para casos de liquidação bancária, esse tipo de ocorrência é incomum devido à regulação e supervisão do Banco Central.
Além da proteção do FGC, entenda como funcionam os seguros de conta digital, serviços oferecidos pelo próprio banco para ampliar a segurança do cliente em situações específicas.
Como funciona o seguro contra fraude em banco digital?
Esse tipo de proteção oferece uma camada adicional de segurança para a conta digital, o cartão e o aplicativo da instituição financeira. A cobertura pode incluir situações como perda da carteira, furto ou roubo de celular e operações realizadas sob coação, conforme as condições previstas no contrato.
A extensão da cobertura e o valor máximo de indenização variam conforme a instituição financeira e as condições do contrato.
Por exemplo, no Inter, o seguro Cartão Mais Protegido oferece cobertura para perda, roubo ou furto do cartão, saques e compras realizados sob coação, além da participação em sorteios mensais de R$ 5 mil.
Outras ferramentas de segurança
Além das soluções oferecidas pelos bancos digitais, o Banco Central criou o MED (Mecanismo Especial de Devolução) para auxiliar vítimas de golpes, fraudes ou falhas operacionais a recuperarem valores transferidos via Pix.
Quando acionado, o mecanismo pode bloquear os recursos na conta de destino, impedindo que o valor seja sacado ou transferido pelo fraudador enquanto a análise estiver em andamento.
No entanto, o MED não se aplica a casos de arrependimento de compra, erro de digitação na chave Pix ou desacordos comerciais.
Já o chargeback é um mecanismo de contestação de compras realizadas com cartão de crédito junto ao banco emissor ou à operadora. A ferramenta pode ser utilizada em casos de fraude, não entrega de produtos ou serviços e cobranças indevidas ou duplicadas.
Depois de entender como funcionam os seguros de conta digital, descubra por que a segurança em fintechs reguladas pelo Banco Central é um fator essencial na escolha de uma instituição financeira.
Por que usar fintechs reguladas pelo Banco Central é vantajoso?
Instituições financeiras reguladas seguem normas do Banco Central relacionadas à segurança, autenticação, prevenção a fraudes, proteção de dados e funcionamento do Pix. Como resultado, os usuários contam com mais proteção, menor exposição a riscos e acesso a mecanismos oficiais que reforçam a segurança das transações financeiras.
Para verificar se um banco digital é autorizado pelo Banco Central, acesse a página Encontre uma instituição e pesquise pelo nome ou CNPJ da empresa para exibir a situação regulatória no sistema.
Já a associação ao FGC pode ser confirmada por meio da página Lista de Associadas e Conglomerados do fundo. Basta clicar no sinal de “+” ao lado do nome da instituição para visualizar as informações de participação.
Agora que você sabe como funcionam os seguros de conta digital, confira algumas dicas para aumentar a proteção da sua conta e reduzir o risco de fraudes.
Checklist rápido: como aumentar a proteção da sua conta?
Ao abrir uma conta digital:
- Verifique se a instituição é associada ao FGC ou ao FGCoop;
- Distribua seus recursos entre diferentes instituições para ampliar a cobertura;
- Ative a autenticação em dois fatores;
- Defina limites de transação e habilite alertas de segurança;
- Confira os dados e valores das transferências Pix antes de concluir a operação;
- Em caso de fraude, bloqueie o aplicativo e o cartão, contate os canais oficiais do banco e solicite o MED ou o chargeback, quando aplicável.
Esses cuidados ajudam a proteger sua vida financeira no ambiente digital e permitem aproveitar as vantagens de uma conta digital com mais segurança e tranquilidade.




